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You: ame só na ficção!

“You”, ou como o título em português diz, “Você”, é uma série estadunidense lançada em setembro de 2018 e que está dando muito o que falar esse ano, desde que entrou na Netflix, no finalzinho do ano passado. Criada por Greg Berlanti e Sera Gamble, a história é basicamente sobre a vida de um psicopata apaixonado. Com o sumido Penn Badgley, o então Dan de Gossip Girl, série super famosinha que todo mundo já viu pelo menos um episódio na vida, (nem que seja quando passava no SBT), e Elizabeth Lail, de quem nunca ouvimos falar. O elenco também conta com Shay Mitchell, a eterna Emily de Pretty Little Liars. São dez episódios de 45-50min, ou seja, sim, dá para maratonar em uma noite.

Enfim, chega de nomes difíceis e vamos para a parte interessante!

A trama acompanha Joe, o protagonista stalker que leva uma vida pacata e misteriosa, com seu emprego na livraria Mooney’s e seu apartamento num bairro qualquer de Nova York. Tudo se torna interessante aos 30 segundos de narrativa quando o protagonista começa uma espécie de monólogo mental bizarrão ao ver a ilustre e clichê Guinevere Beck, a quem todos chamam de Beck, vivida por Elizabeth L., por quem ele fica super obcecado e começa a perseguir.

Até aqui tudo bem, digamos que Joe é apenas mais um desses caras malucos que pesquisam em redes sociais e fazem de tudo pra conseguir uma transa com a garota dos sonhos, como se estivesse tão desesperado para ser amado que precisaria ultrapassar os limites do que acreditamos ser o certo num convívio pacífico e respeitoso. Contudo ele não para por aí.

Joe passa a perseguir Beck num nível absurdo e isso gera consequências um tanto surpreendentes. Entretanto, quanto mais ambos se envolvem, mais ele acha que precisa salvá-la das pessoas ao redor dela e dela mesma, o que obviamente resulta em ações e situações desagradáveis, e que seriam imprevisíveis se nós, telespectadores, não tivéssemos acesso exclusivo aos pensamentos do protagonista quase 90% do tempo.

A série no geral tem uma história interessante e bem desenvolvida. Os personagens me pareceram verossímeis, porém distantes, impossível de simpatizar com alguém de maneira que você torça por um dos lados. Passei o percurso inteiro apenas curiosa com qual seria o fim, e se você é uma das pessoas que, como eu, gostam de uma reviravolta dramática, não espere encontrar muita coisa. Não decepciona, mas também não vai ser a melhor série da vida de ninguém, essa é a grande verdade.

Bola pra frente, porque mesmo com alguns pontos médios, ainda é uma série que eu recomendaria apenas para gerar um debate ou uma reflexãozinha básica sobre como os humanos podem ser completamente cegos ou submissos, além de perigosos e manipuladores. Então cuidado que agora não posso prometer que não terá spoilers.

Por todo canto se você der um Google ou pesquisar por críticas como essa, vai ler ou ouvir muuuuuito sobre o relacionamento de Joe e Beck. Só fica claro que Joe é um psicopata a partir do segundo episódio, pois, no comecinho, ele poderia ser considerado apenas um stalker e voyer, o que já é motivo suficiente para você evitar uma relação. Beck passa todos os eps “sentindo” que há algo de errado ou que tudo é bom demais para ser verdade. Joe é representado como o clássico sociopata, sempre querendo se livrar de todos que, para ele, “atrapalham” seu amor por Beck, sem medir esforços para eliminar tudo o que estiver em seu caminho.

Houve momentos que até eu cheguei a pensar “eles poderiam fazer um casal bem fofinho, MAS não vai rolar”, porque não dá pra durar algo que nasceu de mentiras, fingimentos e, (pasmem!), assassinatos. Além de que existe um ciclo vicioso em que Joe vive para agradar Beck e de uma forma bem sutil, manipulá-la. Enquanto Beck vive para agradar a todos, causando um tiro na culatra após o outro, e traindo Joe. De certa forma a relação doente de ambos, destrói tudo ao redor deles, mesmo aparentemente parecendo fazer algum sentido, que os dois se amam e vão viver felizes para sempre.

Spoiler óbvio: não vão.

Outro personagem que tem bastante destaque nas subtramas e que é um pilar na vida de Joe, até eu arriscaria dizer discípulo se houvesse algum sinal de maldade na criança, é Paco, vivido pelo ator mirim Luca Padovan. O menino tem uns onze/doze anos, uma mãe enfermeira e viciada, e um padrasto violento super do mal. Paco encontra um pouco de alívio em meio a todo esse caos através de Joe, que sempre empresta livros que contenham uma lição de vida.

Ao longo da história, vemos um Paco tão desesperado para salvar a mãe das garras do padrasto, Ron e ter uma vida normal, como toda criança deveria ter, que presenciamos uma espécie de “teste final”, após Joe fazer algo muito ruim com Ron e Paco lhe “dever uma”. Vou deixar um arzinho de mistério, pois essa é uma das reviravoltas que fazem a série ser melhor do que muita coisa que já vi por aí. Digo apenas que é o ápice da submissão diante do certo e errado. Ok, um pré-adolescente ainda não tem noção plena de ideais etc., mas é impossível que isso se aplique nesse conceito.

Whatever, a questão é que Joe é um mestre da manipulação, tão bom que faz até mesmo o público se convencer, em momentos ligeiros, de que talvez ele tenha um bom motivo para tudo o que faz, afinal, uma história de amor é uma história de amor e sejamos francos, depois de Cinquenta Tons de Cinza já sabemos muito bem como existe plateia para essas narrativas peculiares. Para o amor, tem sempre esse discursinho de que tudo suporta e supera, que não existe problema que não possa resolver, ou que as pessoas mudam quando se apaixonam, e blábláblá…

Errado! Se fosse esse o caso, não teríamos um Joe assassino e uma Beck que trai. Então se você é uma pessoa que ainda vai assistir, tenha o bom senso de não dizer que Joe estava apenas apaixonado, ou que é apenas uma história. E se você já assistiu, pois bem, espero que você tenha o bom senso também para saber que a relação dos protagonistas é completamente abusiva e fora do aceitável, definitivamente. A única coisa que todos temos que admitir é que a produção dos sentimentos e ações dos personagens foram perfeitamente humanas e nisso a série ganhou meus parabéns!

Uma observação final: talvez você, como eu, se pegue pensando sobre todos os relacionamentos de Beck terem contribuído para ela acabar nas mãos de Joe. É uma reflexão que a própria personagem faz no último episódio. Absolutamente todas as relações da co-protagonista são conturbadas, codependentes ou abusivas. Não há uma relação saudável que a série nos apresente. Colocando em voga o senso de julgamento de Beck, e dando motivos para sua insegurança constante e sensação de não merecimento em relação a Joe e a todo resto. Sua amiga Peach (Shay Mitchell) é um exemplo notório de codependência e submissão. E a parte engraçada é que apenas Peach e Ron foram capazes de enxergar a verdadeira face de Joe. Eu chamaria isso de “enxergar a si mesmo no outro”.

Bom, é isso. Agora é com você! Partiu maratona, e não se esqueça de deixar nos comentários o seu feedback da série, se você gostou, odiou, concorda, discorda, prefere Gossip Girl… Hahahha!

Beijos e Queijos.

Hanna K.

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