Newsletter

Just enter your email to get all the latest offers

Um Dia de Cada Vez

Aos dezessete anos, Alexi, uma jovem com a família cristã perfeita, amigas populares, reputação intacta e garotos aos seus pés, se vê presa a um grande segredo que a consome desde o verão. Em contrapartida, Bodee, um garoto invisível, esquisito, cabelos tingidos de Ki-Suco e calças surradas, acaba de perder a mãe. De uma forma sublime, ambos encontram, um no outro, uma maneira de superar os traumas que surgiram pelo caminho, numa amizade improvável e acolhedora.

Um Dia de Cada Vez, de Courtney C. Stevens, é um romance young adult, publicado no país em 2014 pela editora Objetiva. Delicado e bastante intenso, trás à tona as cicatrizes que um evento fatídico deixa, seja na pele ou na alma.

Desde o primeiro momento já somos apresentados às questões que os permeiam; em nenhum momento ficamos em dúvida de que Alexi foi abusada sexualmente, nem de que Bodee está de luto. Ingerimos a dor deles do início ao fim, acompanhando todo o processo de recuperação.

A grande questão do livro é quem estuprou a adolescente e como ela lida com isso.

É uma verdadeira reflexão sobre a vida, com doses de empatia e vontade de tirar toda a dor da protagonista e colocá-la num potinho. Além de raptar Bodee para a vida real, com todo seu jeito silencioso e tranquilizador.

Com certeza, um livro íntimo e que faz jus à abordagem de temas como automutilação, luto, abuso sexual e psicológico, e relações familiares, com personagens repletos de camadas e prontos para sair das páginas e ganhar vida própria. Contando também com momentos característicos da juventude e dramas adolescentes, que podem camuflar a verdade para aqueles que não conseguem enxergar a dor através dos olhos dos protagonistas.

“Eu abraçaria Bodee, se pudesse. Um abraço de amigo. E talvez, se ele não estivesse hibernandoem uma caverna de tristeza, ele me abraçasse também. Enquanto fico parada ali, sem abraçá-lo,penso que, se fôssemos adolescentes normais, provavelmente nos agarraríamos e soltaríamossuspiros. E deixaríamos nossas mãos passearem até acabarmos ficando por uma tarde transandoantes do jantar. E nunca mais tocaríamos no assunto.

Mas não somos normais. Pelo menos eu não sou, e aposto que ele também não é. E não sintovontade de tocar esse rosto confuso que-não-consegue-ter-uma-barba-de-verdade. Nem passar asmãos por seu cabelo de Ki-Suco. Mas eu gosto dele aqui neste quarto.”

No Comments

Post a Comment