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Matthew Quick em: Todas As Coisas Belas

 

Nanette O’Hare é uma garota certinha e com um futuro brilhante pela frente. Sem grandes emoções nem problemas com os quais se preocupar. Um dia, seu professor lhe dá um livro que muda completamente sua visão sobre si mesma e o mundo, tornando impossível continuar com sua vida regrada sem se frustrar ainda mais com a realidade. Nanette, então, encontra novos e peculiares amigos, e embarca nas aventuras adolescentes que nunca se imaginou vivendo. Entretanto, a jovem precisa lidar com todas as consequências e reviravoltas desse novo rumo que escolheu trilhar.

Todas As Coisas Belas é o sexto, e mais recente, livro de Matthew Quick, lançado originalmente em 2016 e traduzido para o Brasil em 2018 pela editora Intrínseca, com suas 272 páginas de puro drama adolescente e metáforas sobre a vida.

Nanette é uma personagem com quase nenhuma característica forte pela qual a história é guiada, mas apesar disso, é dificílimo não se identificar com as camadas de incertezas e a busca às cegas por um caminho a seguir. A garota é a típica adolescente que chega ao último ano do ensino médio e não tem a mínima ideia do que fazer em seguida, o que seria até uma premissa rasa se Quick não executasse com tamanha maestria toda a dormência e anseios da protagonista, nos apresentando uma evolução gradativa e concisa, tornando-a no decorrer, alguém completamente diferente da Nanette que conhecemos nos primeiros capítulos.

Outro personagem a quem somos apresentados é Alex, um garoto sensível que escreve poemas e tem como missão de vida proteger seu amigo pré adolescente dos valentões do colégio. Completamente solitário e introspectivo, com sérios problemas de violência, entretanto com um coração de ouro.

Tanto Alex, como Nanette, tinham vidas adormecidas e versões de si mesmos que queriam poder fazer mais do que a realidade permitia, de acordo com suas visões. Ao lerem o livro revolucionário que lhes é mostrado, percebem que está na hora de consertar as partes quebradas e serem inteiros novamente.

Uma narrativa que aborda na medida certa a pressão social e familiar pelo “ser alguém na vida”, transtornos mentais que podem surgir da perfeição, o conceito da liberdade e a grande questão de saber se estamos realmente vivendo ou apenas existindo.

O livro carrega um misto de ousadia, coragem e excitação para acolher uma novidade de vida. A sensação que fica quando viramos a última página é que está na hora de terminar aquela coisa que deixamos por fazer, ou começar aquilo que temos tanto medo ou vergonha de arriscar. É uma sensação revigorante de “eu posso fazer isso” que os personagens nos trazem, com suas ações impensadas e todas as consequências desastrosas ou não.

É, definitivamente, um livro para quem quer se encontrar.

“Nós vivemos dentro da nossa cabeça, Nanette, um lugar que pode ser muito assustador. Esquecemos que não somos apenas eu, mas também um ela e um você. Esquecemos de nos ver como os outros nos veem. Para algumas pessoas, o narcisismo é um problema, o que significa que elas são egoístas, autocentradas demais, mas acho que o seu problema é ser altruísta demais. Você se preocupa com as necessidades dos outros mais do que com as suas próprias. Você se mantém forte por eles, mesmo que para isso abra mão do próprio bem-estar.”

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