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Matthew Quick em: Perdão, Leonard Peacock

“PRIMEIRO ELES O IGNORAM, DEPOIS RIEM DE VOCÊ, EM SEGUIDA LUTAM COM VOCÊ, E ENTÃO VOCÊ GANHA.”

Leonard Peacock pretende cometer um homicídio-suicídio no dia de seu aniversário de dezoito anos. Sua única missão é entregar três presentes para três pessoas diferentes que ele julga serem as únicas que valem a pena num mundo dominado por super-idiotas, depois matar seu ex-amigo de infância e atirar na própria cabeça com a arma nazista de seu falecido avó.

“Perdão, Leonard Peacocok” é um livro útil, intenso, simples e que faz qualquer pessoa, já desequilibrada, querer dar um tiro na própria cabeça. Quick traz à tona a realidade dura e temível de todos aqueles que não suportam a ideia de não serem amados, de precisarem conviver com coisas ruins e de que a vida pode ser bastante insensível às vezes.

Mergulhamos de cabeça num mundo deturpado pela visão pessimista ou extremamente realista de um adolescente nitidamente deprimido, sentimos raiva de personagens que nem existem, mas que conseguem ser detestáveis só pela essência verossímil que o autor lhe atribui, e quase torcemos para Leonard conseguir o que quer depois de meio livro entendendo todos os trilhões de motivos para ele ser como é e por sentir o que está sentindo.

Não é nem um pouco “certo” ou coerente admitir que talvez uma pessoa estivesse melhor morta, mas o livro transmite uma energia tão negativa, uma perspectiva tão nublada do que o futuro reserva que é ainda mais triste ver o personagem tentando lutar constantemente contra a ambivalência de sua situação mental; o contraste entre tudo o que faz para se autossabotar, ao mesmo tempo que espera e torce para alguém ajudá-lo, salvá-lo, realmente enxergar que existe algo errado.

Definitivamente é meu livro favorito do autor, o mais negativo e o que carrega o maior número de bagagem e visões de mundo, já que a cada dois passos, Leonard expressa sua opinião sobre qualquer tema, importante ou trivial.

A narrativa intercala os acontecimentos do dia presente do protagonista com lembranças de momentos nostálgicos ou coerentes para o entendimento, como se seguíssemos a linha de raciocínio do personagem e ele voltasse em determinados pontos para nos explicar o que cada detalhe significa, sempre deixando algumas pistas pelo caminho, para não “estragar a surpresa”.

O livro contém muitos rodapés, o que pode confundir alguns desavisados, entretanto a leitura flui tão tranquilamente, com o humor ácido do protagonista e seus choques de realidade. É uma obra triste e bela que, provavelmente, faz e fará muitas pessoas repensarem suas atitudes ou como olhamos o mundo e como ele nos olha de volta.

“Mostre-me que é possível ser adulto e também ser feliz. Por favor. Este é um país livre. Você não precisa continuar fazendo isso caso não queira. Você pode fazer o que desejar. Ser quem quiser. Isso é o que eles nos dizem na escola, mas se você continuar entrando naquele trem e indo para o lugar que você odeia, vou começar a achar que as pessoas na escola são mentirosas, como os nazistas, que disseram aos judeus que eles estavam apenas sendo transferidos para trabalhar nas fábricas. Não faça isso conosco. Diga-nos a verdade. Se ser adulto significa trabalhar a vida inteira em algum campo de concentração que você odeia, se divorciar do marido criminoso, se decepcionar com seu filho, ficar estressada e infeliz, namorar um impostor e fingir que ele é um herói quando, na verdade, ele é uma pessoa ruim, e qualquer um consegue ver isso só de apertar a sua mão pegajosa – se as coisas não forem melhorar mesmo, eu preciso saber. Apenas me diga. Poupe-me da porra de um destino terrível. Por favor.”

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