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    Hoje é dia de samba, bebê!

    Salve amigo(a) leitor(a)!

    Mais uma bienal do Rock in Rio chegando, aguardando ansiosamente a performance de Cristiane Torloni para falar o famoso bordão “Hoje é dia de Rock, bebê!”.

    Mas o Carnaval já começou: Hoje é dia de samba, Bebê!

    Hein? Como? Hã? Aí você me pergunta: Mas o Carnaval não é só em Fevereiro?

    Sim, você não está maluco e nem eu. É que a preparação nos barracões das escolas já começou, na verdade quando se acaba um Carnaval já começa o planejamento para o ano seguinte, ou seja, o movimento nunca interrompe numa escola de samba, desde a famosa “dança das cadeiras” nas principais funções chave (carnavalesco, intérprete entre outros…) até o chão de barracão das agremiações.

    Quando chega próximo ao fim do 1º semestre já com o enredo definido, começam os movimentos dos compositores para as eliminatórias da escolha do samba enredo. É um verdadeiro jogo de estratégias; compositor convida compositor, prospecção de investidor para concorrer, jogo de especulações, reuniões varando a madrugada compondo, reunião em estúdio para definir o samba final e as eliminatórias começam.

    Dependendo da escola e do enredo proposto, há aproximadamente uma média de 20 a 30 sambas que concorrem. É um campeonato à parte, muito cobiçado pelos compositores, pois ficará marcado na carreira do artista e na história da escola. E todo compositor quer ter o seu nome marcado na história da sua escola de samba do coração.

    Durante as eliminatórias, os compositores concorrentes gastam muita energia, pois em suas apresentações além de pegar forte nos seus devidos sambas, usam-se estratégias para conquistarem os jurados: intérpretes conhecidos no meio artístico, passistas, baianas, comunidade, assessórios, enfim é uma verdadeira apresentação artística.

    Samba escolhido e definido, pode acontecer da direção da agremiação solicitar alguma mudança na letra do samba, isso é um procedimento normal para o samba desenvolver junto com a evolução da escola na Avenida.

    Enredo e Samba-Enredo prontos, a Escola de Samba está pronta para o Carnaval, certo? Muito errado, a segunda etapa irá começar.

    É daí que começa a maratona dos ensaios técnicos: ensaios de canto, posicionamento, evolução, harmonia, rua e avenida (privilégio para as escolas do grupo especial e grupo A), todas com a bateria da escola impulsionando a evolução, pois é o coração da escola, é o que dá a cadência devida.

    Os ensaios técnicos são árduos, cansativos, é repetido o canto do samba numa média de 90 a 100 vezes numa só rodada de ensaio, o que leva aproximadamente 2 horas, mas pra quem gosta leva num total prazer.

    Todos os setores da escola são obrigados a participar, para dar uma sintonia cada vez maior entre os componentes. Dependendo da escola, até o(a) presidente participa ativamente no chão da quadra, numa forma de motivar a comunidade.

    Essa rotina de ensaios técnicos vai até a última semana antes do Carnaval, não é fácil, tem que gostar, participar, interagir e abraçar a escola. Há escolas que abrem inscrições para participar das alas da Comunidade, é bom porque economiza o valor de uma fantasia, que pode variar entre 300 a 1200 reais, mas a escola exige comprometimento, ou seja, não pode faltar aos ensaios técnicos. E após o término do Carnaval, ela solicita que você devolva toda a fantasia, pois alguns materiais são reaproveitados para o ano seguinte e a escola consegue economizar em seus custos futuros.

    Eu estou indo para o meu quinto ano no grupo Especial, pela Unidos de Vila Isabel e para o sétimo ano no grupo de Acesso, pela Acadêmicos da Rocinha. Mesmo sendo um carioca da gema, eu nunca cheguei a pensar em desfilar na Marquês de Sapucaí, sempre vi pela televisão e nos últimos anos assisti pela arquibancada os desfiles. São 3 sensações totalmente diferentes, isso eu confirmo para você.

    Assistir pela TV não tem emoção, você pode no máximo se contagiar num momento ou outro, mas não tem alegria, você assiste aos comentários dos convidados, os bastidores dos camarotes, as pessoas felizes (o que é verdade) nas arquibancadas e só, chega a madrugada e você vai dormir e ponto.

    Assistir nas arquibancadas já começa a emoção, você sente o barulho fielmente, as caixas de som tocando do seu lado, o calor das pessoas contagiadas, você fica muito bem contagiado.

    Quando você participa ativamente do desfile, você sente o chão tremer, a bateria cadenciar o swing da harmonia, a evolução surpreender, você fica extasiado, demora para o seu nível de adrenalina baixar. Para quem gosta de Carnaval e tem interesse em um dia desfilar, recomendo.

    Só não recomendo você se embriagar antes do desfile, pois você corre o risco de ser expulso pelos componentes da Harmonia, para não correr o risco de estragar com a evolução da escola. Não aconteceu comigo, mas já presenciei e não é nada legal, pois quem trabalha com a Harmonia da escola tem que estar 100% focado com a Evolução e o andamento da escola, é uma baita administração de tempo e posicionamento. Pois se for beber, não desfile! Beba depois do desfile, com o coração na boca de tanta alegria.

    “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é…
    …é ruim da cabeça ou doente do pé.”

    Que os Deuses do Samba iluminem mais um Carnaval.

    Seguem alguns trechos de sambas-enredo memoráveis que ficaram para a história do Carnaval do Rio de Janeiro:

    ü União da Ilha do Governador – 1982: É Hoje!

    “É hoje o dia da alegria e a tristeza
    Nem pode pensar em chegar
    Diga espelho meu
    Se há na avenida
    Alguém mais feliz que eu”

    ü União da Ilha do Governador – 1978: O Amanhã

    “Como será o amanhã
    Responda quem puder (bis)
    O que irá me acontecer
    O meu destino será como Deus quiser”

    ü Estação Primeira de Mangueira: Samba Exaltação – Hino da Mangueira

    Mangueira teu cenário é uma beleza
    Que a natureza criou, ô…ô…

    O morro com seus barracões de zinco,
    Quando amanhece, que esplendor,
    Todo o mundo te conhece ao longe,
    Pelo som de teus tamborins
    E o rufar do seu tambor

    Chegou, ô… ô…
    A mangueira chegou, ô… ô…

    Ó Mangueira, teu passado de glória,
    Ficou gravado na história,
    É verde-Rosa a cor da tua bandeira,
    Pra mostrar a essa gente,
    Que o samba, é lá em Mangueira !

    ü União da Ilha do Governador – 1991: De Bar Em Bar, Didi Um Poeta

    “Hoje eu vou tomar um porre
    Não me socorre que eu tô feliz
    Nessa eu vou de bar em bar
    Beber a vida que eu sempre quis
    E no bar da ilusão eu chego
    É pura paixão que eu bebo
    Amor me deseja, me dá um chamego
    Me beija e faz um cafuné”

    ü União da Ilha do Governador – 1989: Festa Profana

    “O rei mandou cair dentro da folia
    E lá vou eu (e lá vou eu)
    O Sol que brilha nessa noite vem da Ilha
    Lindo sonho que é só meu”

    ü Acadêmicos do Salgueiro – 1993: Peguei um Ita no Norte

    “Explode Coração
    Na maior felicidade
    É lindo o meu Salgueiro
    Contagiando sacudindo essa cidade”

    ü Acadêmicos do Salgueiro – 2009: Tambor

    “Vem no tambor da Academia
    Que a furiosa bateria… Vai te arrepiar!
    Repique, tamborim, surdo, caixa e pandeiro,
    Salve os mestres do Salgueiro!”

    ü Unidos de Vila Isabel – 1988: Kizomba

    “Vem a Lua de Luanda
    Para iluminar a rua
    Nossa sede é nossa sede
    De que o “apartheid” se destrua”

    ü Portela – 1984: Contos de Areia

    Bahia é um encanto a mais
    Visão de aquarela
    E no ABC dos Orixás
    Oraniah é Paulo da Portela
    Um mundo azul e branco
    O deus negro fez nascer
    Paulo Benjamim de Oliveira
    Fez esse mundo crescer (okê-okê)

    Okê-okê, Oxossi
    Faz nossa gente sambar (bis)
    Okê-okê, Natal
    Portela é canto no ar

    Jogo feito, banca forte
    Qual foi o bicho que deu?
    Deu águia, símbolo da sorte
    Pois vinte vezes venceu

    É cheiro de mato
    É terra molhada (bis)
    É Clara Guerreira
    Lá vem trovoada

    Epa hei, Iansã! Epa hei! (bis)

    Na ginga do estandarte
    Portela derrama arte
    Neste enredo sem igual
    Faz da vida poesia
    E canta sua alegria
    Em tempo de carnaval

    (Ê Bahia…)

    ü Império Serrano – 1964: Aquarela Brasileira (Silas de Oliveira)

    Vejam esta maravilha de cenário
    É um episódio relicário
    Que o artista num sonho genial
    Escolheu para este carnaval
    E o asfalto como passarela
    Será a tela
    Do Brasil em forma de aquarela
    Passeando pelas cercanias do Amazonas
    Conheci vastos seringais
    No Pará, a ilha de Marajó
    E a velha cabana do Timbó
    Caminhando ainda um pouco mais
    Deparei com lindos coqueirais
    Estava no Ceará, terra de Irapoã
    De Iracema e Tupã
    Fiquei radiante de alegria
    Quando cheguei à Bahia
    Bahia de Castro Alves, do acarajé
    Das noites de magia do candomblé
    Depois de atravessar as matas do Ipu
    Assisti em Pernambuco
    À festa do frevo e do maracatu
    Brasília tem o seu destaque
    Na arte, na beleza e arquitetura
    Feitiço de garoa pela serra
    São Paulo engrandece a nossa terra
    Do leste por todo o centroeste
    Tudo é belo e tem lindo matiz
    O Rio dos sambas e batucadas
    De malandros e mulatas
    De requebros febris

    Brasil, essas nossas verdes matas
    Cachoeiras e cascatas
    De colorido sutil
    E este lindo céu azul de anil
    Emolduram em aquarela o meu Brasil

    Lá rá rá rá rá
    Lá lá lá lá iá

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