Newsletter

Just enter your email to get all the latest offers

CAPTCHA ImageMudar Imagem

Garotas de Vidro

 

Lia Marrigan Overbrook tem dezoito anos e um histórico de transtorno alimentar. A vida já é difícil o bastante quando mais uma bomba vem à tona: sua melhor amiga foi encontrada morta num quarto de hotel, na manhã seguinte em que ligou para Lia trinta e três vezes, sem êxito. Agora, Lia precisa lidar com todos os fantasmas que a perseguem e com os números na balança que só diminuem enquanto todos tentam convencê-la a comer.

“Garotas de Vidro”, escrito pela norte americana Laurie Halse Anderson e lançado no Brasil pela editora Novo Conceito, é uma história angustiante (e quase cruel de acompanhar) sobre a vida de uma adolescente em meio à realidade de sua doença, onde tudo o que enxerga são calorias e como fugir delas. A narrativa é tão densa, com capítulos divididos entre o passado e o presente (quase nostálgicos), que torna as 269 páginas impossíveis de largar.

Lia sobre de anorexia e passa o livro inteiro nos dando pistas de como e quando tudo começou, as consequências de ter desenvolvido o transtorno e como isso também afeta todos a seu redor. Vemos a protagonista viver uma vida de fachada e as raízes que a levaram a se tornar quem é. Simpatizamos com a veracidade dos seus sentimentos ao mesmo tempo que, aos poucos, percebemos, junto com Lia, que ela não é sua doença.

Todas as relações interpessoais no livro são totalmente simples,  genuínas e complexas, onde todos são vistos como inimigos. O pai que se preocupa, mas prefere fazer vista grossa para os problemas da filha; a mãe que é tão controladora que precisa ser mantida à distância; as meninas do grupo de teatro que num momento estão comendo e sorrindo e no outro jogando paus e pedras; e até mesmo o homem do hotel que ela conhece em uma situação improvável.

O livro é um retrato bastante realista narrado em primeira pessoa. Uma forma íntima de mostrar para tantas e tantas pessoas que elas não estão sozinhas e que nem tudo são flores, nem espinhos. A sensação que fica é que o mundo vai nos engolir vivos e que talvez o final tenha sido um pouquinho corrido, apesar de satisfatório.

Realmente vale a pena a leitura!

“Escute os sussurros que se enrolam na sua cabeça à noite, te chamando de feia e gorda e vaca e biscate e o pior de tudo: “uma decepção”. Vomite e passe fome e se corte e beba porque você não quer sentir nada disso. Vomite e passe fome e se corte e beba porque você precisa de um anestésico, e funciona. Por um tempo. Mas então o anestésico vira veneno e a essas alturas é tarde demais porque você está seguindo essa estrada diretamente para a sua alma. Você está apodrecendo e não consegue parar.”

No Comments

Post a Comment

CAPTCHA ImageMudar Imagem