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POESIA – “Ainda somos os mesmos”?

Milênios, séculos, anos passaram e ainda passam… Fica a poesia obsoleta , démodé, ou como diz a poesia musical:  “ … Que apesar de termos / Feito tudo o que fizemos /  Ainda somos os mesmos / E vivemos / Ainda somos os mesmos / E vivemos Como os nossos pais! (De Belchior, 1976, cantada por Elis Regina e tantos outros ícones da música brasileira.   (https://www.youtube.com/watch?v=DXs4v-xHlAg – por Belchior, quase uma declamação).

“Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, avós, bisas… ou até como os humanos das cavernas, a despeito de toda modernidade, da velocidade tecnológica que praticamente se encarrega de deixar nas nossas mãos quinquilharias irrecicláveis, fazendo-nos pisar no acelerador em busca do novo, do que nos conecta à demanda dos tempos modernos?  E o fator territorial, impõem fronteiras, status ao sentir, como se costuma delimitar em 1º., 3º.  em desenvolvimento ou primitivo?

É da Mesopotâmia o poema mais antigo de que se tem conhecimento, em escrita cuneiforme:  Epopéia de Gilgamesh, rei severo, cujo reinado se deu por volta do ano 2700 AC.   Porém, é imanente do ser humano o representar seu interior e o mundo exterior, suas inquietudes, mazelas, revoltas, introspecções,  dores, certezas, incertezas,  dilemas, dominações, egocentrismo, solidariedade,  amores, desejo de ir mais além do instituído, riquezas, a busca pelo paraíso e realizações…  Provavelmente, perdidas nas “gavetas” das cavernas, muitos sentimentos, sonhos, artes se perderam, restando o que de concreto chegou até nós, através dos registros rupestres ou fragmentos des-cobertos por atentos arqueólogos de todos os tempos.

A bola está contigo, leitor.  Onde nos identificamos, individualmente ou enquanto sociedade, no todo ou em partes, com os mesmos padrões dos primeiros habitantes do planeta, pioneiros nas descobertas e de  tantos outros que se lançaram na  aventura do viver?

Transcrevo  aleatoriamente  das escritas do mundo,  o poema  QUEDA, do poeta português Mario de Sá-Carneiro (1890-1916)  in ‘Dispersão’, importante escritor do Modernismo português.  Não com as mesmas questões que marcaram aquele momento em transição, mas com um outro olhar contextualizado, de um mundo atual em profundas transformações, sociedades  ambíguas, narcísicas, que,  na contramão dos avanços tecnológicos, permite-nos identificar traços comuns de tantos estilos e paradigmas do passado, num mix de imersão/emersão de suas experiências de vida.  Contudo, Fênix sobrevivem sendo a continuidade, a resistência.

“QUEDA

 

E
Eu que sou o rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir … mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.
Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de oiro,
Volve-se logo falso … ao longe o arremesso…
Eu morro de desdém em frente dum tesoiro,
Morro á míngua, de excesso.

Alteio-me na cor à força de quebranto,
Estendo os braços de alma – e nem um espasmo venço!…

Peneiro-me na sombra – em nada me condenso…
Agonias de luz eu viro ainda entanto.

Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
vencer às vezes é o mesmo que tombar –
e como inda sou luz, num grande retrocesso,
em raivas ideais ascendo até ao fim:
olho do alto o gelo, ao gelo me arremesso …

Tombei ….

E fico só esmagado sobre mim !…”

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